terça-feira, 14 de julho de 2015

OS AMARRADORES DE PATAS - CONTO




oscar kellner neto








os amarradores
de patas


- estória -


Delfinópolis-MG
2010




Abertura de caminhos

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1O caminho fora aberto pelos fazendeiros da região a poder de braço escravo, do lapuz em esforço, enxadões, picaretas, machados, labancas, marretas e cunhas aplicáveis à empreitada. 2Parelhas de bois gigantes removiam do traçado os troncos, serras braçais e grupiões desdobrando as toras...
3Para atender a todos os que custeavam a obra, a estradinha apta ao trânsito de carros-de-boi, palafréns, manadas, cavaleiros e transeuntes, estendia-se por uma sucessão de curvas, descendo e subindo morros, vencendo serras e movongos, ladeando grotões, cruzando regatos e córregos, evitando brejos, muçunungas e atoleiros, margeando perambeiras e borocotós, a fim de passar diante da casa-sede de cada fazenda que houvesse na região dos dois barrancos do Rio Grosso.
4A estrada vicinal que demandava a vila de Santa Rita, a algumas léguas dali, era interrompida pelo caudal.
5O ponto do Amarratório[a] de Patas, no lado de Coivaras, ficava na Fazenda Pau D’alho, em um curralzinho de arame farpante atrás de uma capoeira fechada, sob frondoso jatobá...
6Havia muitos anos que certos navegantes vindos de Longe, pai e filho, depois de muito lutar com seu barco-de-vogas devido à falta de uma ponte na grande corrente líquida, resolveram implantar ali, no local conhecido como Porto da Joana, aquele sistema de travessia por meio de uma balsa de varejão.
7Os balseiros tinham se apossado de terras devolutas ribeirinhas nas duas bandas da corrente e habitavam numa cabana dotada de pouca mobília na margem de Coivaras. 8Desviaram do ribeiro dois regos d’água para serventia do rancho e nos alfobres formaram sua horta-de-couve. 9Decruaram o varjão para o plantio de suas rocinhas anuais, e formaram pomar. 10Criavam porcos e galinhas e bebiam o leite duma curraleirinha chifrosa que trouxeram na vinda.
11Para seu ofício, usavam uma espécie de embarcação rude, de pequeno calado, fundo chato e costado baixo, formato quadrangular, sem propulsão própria, construída de madeira nobre, tábuas largas e congrossas sobre chassi de chapas metálicas: nela transportavam pessoas, animais e cargas de um lado ao outro do grande regato.
12Ela tinha proa lançada, bordos largos e salientes e uma cobertura de grossos pranchões. 13Eles usavam grandes varas para desatracá-la e impulsioná-la, no que eram ajudados pela correnteza do local. 14Às vezes ela empraiava tocada pelo vento e exigia grão-esforço e a empunhadura de reforçados caibros para se aviar.
15Era aparelhada com o ror de utensílios e ferramentas, consendo: as redes de pesca, âncoras, fateixas, balroas, poitas, bimbarras, lamparinas e alavancas, cordagem e amarréis, o alforje com suas mudas de roupa e trastes, e seus arpões, arpéus, farpões, varejões, espeques, gaivões, os panos de leitos balouçantes com suas argolas e ganchos, o querosene, o guincho e seu guindalete, e aquela meada de pernas de fios de aço  enrolados em feixes, os tais cabos, seja, a talingadura, enfim: toda a parafernália navegatória. 16Havia ainda ali um baú onde convivessem adaga, machado, facão e garrucha, também um pé de espora de si achado entre os perdidos e uma ou outra catrabucha. 17Num canto, a azagaia, a mor de onças. 18Inclua-se, por final, entre os trens, a exata bagagem de cozinha, víveres, panelas, talheres, moringas e bilhas.
19Vira-e-mexe, pojantes, os riovagantes de cá pra lá levassem os carros com seus bois, muitos vários, juntas e juntas, e os carreiros com seus meninos candeeiros.
20Certo que para maior segurança tiveram que adquirir uma coleção de catracas, roldanas e manivelas, as barricas de graxa,  e todo o material de instalação que montaram em um dos lados da chata. 21Por dentro deste maquinismo de tração corria um grosso cabo de aço que fora fixado em troncos reforçados, de bom cerne, fincados em ambas as opostas ribas, naquele local. 22Isso também lhes facilitava o controle e a locomoção da chata enquanto cruzava o espesso corpo líquido...
23Desde então, explorando com exclusividade tal serviço de pública utilidade, cobravam certa tarifa para levar o pessoal com seus pertences, tralhas e animália de uma margem à outra do curso fluvial.
24Enquanto as enchentes não vinham, deixando-os inoperantes, o trabalho estafava. 25Nas cheias, cessava a faina à espera da baixa.
26O flúmen ali, apesar de estreito, não propiciava a travessia a nado, o que implicava risco de vida ou perda de gado.








Os libérrimos cativos

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1Na parte alta de cada barranca do flux d’água os navegadores construíram com pranchas de peroba fixadas em esteios de aroeira um resistente curral com porteira de paus roliços que dava na boca de uma seringa com forma de funil donde saia o brete, um corredor curto da largura de uma rês adulta. 2Por ali se fazia o bovídeo embarque na balça, onde uma robusta arribana de tábuas de tamboril continha os semoventes; os passageiros e as mercadorias leves iam sobre o pequeno espardeque.
3O capital aplicado no empreendimento viera das inúmeras travessias feitas com o canoão que tiveram antes, transportando indivíduos e seus embrulhos, trouxas e malotões... 4Principalmente passaram de lá pra cá os inúmeros negros alforriados, migrantes de longínquas lavouras e no geral hábeis na faiscância, em busca do Quilombo das Almas no alto da Serra das Sete Voltas, lados do Quenta-Sol, quiçá p’las bandas do exaurífico Desemboque, no Sertão da Farinha Podre, região do atraente mocambo.
5Os descativos, agrolavrantes e faiscadores de remotas lavras, cabindas, bornus e bantos, gratos e generosos, no mais das vezes lhes pagassem com o fruto da bateia e não regateavam na entrega das douradas pepitas, escassilho do produto do garimpo, de legal quilate, libertos frutos de seus inocentes sucessivos furtos no suadouro das grupiaras, antes da Áurea.
6Cada barcada transportava em média 21 cabeças de gado erado, mais os animais de sela e a singradura durava às vezes uma hora de luta ferrenha dos tripulantes para vencer a massa aquática.
7O navegador pai, analfabeto, mas na época ainda sacudido, tinha o vezo de contar a animália traçando a lápis por meio de risquinhos verticais em uma folha de caderno ensebado o número de patas que estavam contidas na embarcação. 8Depois riscava, com um traço na horizontal, grupos de quatro pauzinhos, obtendo assim o número exato de animais que deviam pagar pedágio.
9Como todo hábito, no começo causara estranheza, o homem preferia contar patas a contar cabeças, diziam... 10Mas, depois o fato caiu na rotina e ninguém mais botava reparo. 11Nem os protestos do filho que o ajudava, nem suas repetidas tentativas de alterar sua forma de contagem surgiram efeito... 12Tudo continuou como ora, anos afora, nos fluxos de ida e volta.
13Quando embarcava fêmeas de leite, primeiro entravam as mães e depois as crias, para que não se embaraçasse a contagem dos membros.

A origem dos Amarratórios

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1Já os Amarratórios[b] surgiram quando o velho, para pagar dívida de jogo do filho em casa de zoinas, pelo que o afastou do negócio, perdeu grande parte dos bens amealhados em anos de trabalho duro.
2Uma vez sozinho, teve que investir o resto de suas economias na compra e fixação, no outro lado da barca, de um maquinismo à moda de diferencial automotivo, com seus eixos, satélites, coroas, planetários e cruzetas adaptados para a redução do humano esforço por meio de moitões, poleames, estropos, manivelas e tirantes, mais as catracas e roldanas por onde era tracionado o cordame de aço...
3Tudo para aumentar a sua segurança e facilitar seu controle e impulsão durante a travessia. 4Os braços agora haviam minguado, proliferando os calos...
5Com seus varões e cabedais, resseguro, o manobrista da maromba conduzia ao seu destino bestas, mercadorias e gente.
6Semi-cego (seus olhos aos poucos iam sendo tragados por cataratas), já alquebrado, viúvo, meio surdo, o solitário riajor começou a cobrar um valor considerado absurdo pela transportação de cargas, bípedes e quadrúpedes em sua balsa.
7O Amarratório era um local distante uma quarta de légua do Rio, onde se praticava às esconsas uma forma de enganar o riogeiro no cômputo das patas. Havia um na banda de Coivaras e outro num piquete ensombrado de pindaíbas da Fazenda Santa Fé, num canto próximo do caminho, já no barranco de Santa Rita.
8O ludíbrio consistia em amarrar junto ao peito da rês uma de suas patas, geralmente uma das mãos, por meio de cordas trançadas que passavam pelos mucubus.  9Manquitóis, os animais iam caminhando com esforço até a abegoaria na beira do Riugrosso para o embarque, precedidos pelos aboios dos vaqueiros.
10A posição incômoda da surrupeia trazia grande padecer ao armento, quando não torcidos membros, desarticuladas juntas.
11Tangidas para dentro da nau, o embarcadiço contava suas patas no modo e forma de praxe. 12Paga a barcagem a viagem era realizada.
13Com o embuste, por cada quatro cabeças o fluvinheiro recebia o pedágio de apenas três, e assim, nos múltiplos de quatro, sucessivamente, até o limite de 21 reses pagantes na contagem do transportador. 14Com a carga máxima, na realidade levavam 28 tapeando o Velho-do-Rio – assim o chamavam - em sete sem pagamento de frete. 15E a grande jangada começou a gemer no transporte em razão do peso excessivo dos bovinos sonegados... 16Cínicos, culpavam-lhes a gordura pelo sobrepeso suportado.
17Depois de pojado no cairel oposto, assim adiante, depois de uma curva do caminho e fora das vistas de quem estivesse no porto, liberavam suas patas das redes de cordas e seguiam viagem, rebanho mancando geral...
18Como o comandante nunca mais quis saber do filho expulso, e não ouvia opiniões ou conselhos alheios, por anos funcionou o embuste, acumulando-se o enorme prejuízo de 25% em cada boiada atravessada.








O formidável cortejo

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1Mas não ficou nisso... 2Com o tempo, descobriram uma forma diferente de amarrilho nos Amarratórios, pelo que os boiunos a duras penas e a poder de severo castigo, foram treinados para andar apenas nas duas patas traseiras...
3Era imponente o cortejo daqueles seres neobípedes caminhando semieretos para o embarque... 4As fêmeas gingavam ao caminhar devido ao peso da ubraria chacoalhando.
5Pensando bem, não eram movimentos naturais. 6Era um andar dolorido de ossos deslocados, ligamentos partidos e músculos febris... 7Daí existindo em cada cândido olhar bovino, um espanto e uma lágrima perenes: viraram miados os mugidos da boizama possuída de miálgico assombro.
8E dava que maltratassem, mortificavam tanto ex-touros, marruares castrados, - taurinos e indicus - como os novilhos de engorda... 9Apuavam, supliciavam, bestializavam e arpavam as inocentes criaturas.
10O ardil elevava as perdas do velhomen para 50% em cada travessia assim realizada, inflacionando também o sobrepeso imposto ao barco.



A dolorosa saltitância

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1A amarração de patas continuou... 2Em seis meses o gado estava condicionado para caminhar saltando em apenas uma pata traseira, como bois ou vacas-sacis...
3Muitos ossos se quebravam, rupturas de tendões eram frequentes. 4Fraturas expostas exigiam um ou outro sacrifício... 5Mugidos de lamento, desespero e sofrimento povoaram as noites de Coivaras naquela ocasião. 6Ninguém imagina até onde vai a brutalidade dos reis do gado nem onde finda a resistência dos irracionais à tortura...
7O ruído ensurdecedor das patas socando o convés no momento do embarque evocava trovões em tempestade, ou o reboar de canhões nos campos de batalha. 8Logo, a boiama arriava suxa, brucutu! tombando no estrado, extenuada pelo martírio que lhe impunham, sendo colocada de pé à custa de pontas de ferrões. 9Ao tanto destroncadas, deitassem sem apelo permanecendo inermes, abnóxias e sangrantes no decúbito forçado do delíquio.
10O bôer catrumano acusava peso desproporcional ao número apurado... 11O lavagante não ouvia direito o bramido nem entendia os gemidos vindos do chassi da chata.

A total amarração
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1Com o tempo, amarraram as patas dianteiras cruzadas sobre o peito da rês. 2As pernas eram peadas longitudinalmente, esticadas uma em cada flanco do animal, flexuras em tormento. 3Por meio dos aguilhões das varas-de-ferrão, das tuzinas condicionadoras,  de coisa feita e por sugestão hipnótica, amestraram-nas a se quedarem contorcidas, boiantes no ar, com as quatro patas amarradas, meante a câimbras e desmaios, assim antigravitacionais, posto que bem nutridas, redondas, nédias.
4No início desse derradeiro engenho, devido ao despreparo, chegaram a perder - o que não lhes serviu de lição! - dois garrotes de dezoito arrobas que se evolaram, vogantes do éter, sumindo pigmentais no firmamento[c].
5Logo conseguiram controlar o ascensorismo.  6Cingiam pelas ancas as reses com cangalhas onde, depois da amarração, colocavam certas pedras imantadas. 7Graças a isso, elas se mantinham pairando no ar a sessenta centímetros do solo, contorcionistas e sobreaflitas.
8Após o preparo, os bicornes eram trazidos do Amarratório para a travessia atados uns aos outros, encabrestados, leves, planantes, dirigíveis, tufados, conduzidos pelos ajudantes dos boiadeiros como se fossem assustadas miniaturas de zepelins.
9Sem este expediente, os buzarates iriam pelos ares como esses balões recheados de gás que as crianças perdem nos parques de diversão.
10Nos locais de amarração ou com elas já a bordo, os homens se aproveitavam da imobilidade forçada dessas como que bonecas infladas seviciando-as em sádica zoofilia, causa de geral balanite...
11Segundo consta, por falta de alabardas e enxergas as arreatas feriam o lombo dos tetrápodes, causando-lhe chagas, contusões e pisaduras, donde lhes curassem os abscessos a poder de pomadas e cauterizações.







O declínio do navegante

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12Fésteis na rapinagem, agora os dissolutos, em conluio na baldroca, lesavam completamente o grandevo riajante, pagando apenas pela travessia das cavalgaduras, tendo-o por patau, na intenção de arruiná-lo...
13Com isso, a embarcação já não acusava peso nem mostrava presença vacum... 14O balsejante abmouco não ouvia os bonfos nem os muns. 15Transolhava lusco, desenxergando patas pra contar no cercado do barco. 16Apenas sentia um certo cheiro de estrume fresco, sem contudo entender-lhe a origem.
17Estranhou alguma vez o acúmulo de esterco no piso que limpava ocasionalmente.
18Uma vez embarcadas e depois da tentativa inútil de contagem do ancião, por segurança algumas das reses eram atadas pelos cabrestos às argolas parafusadas no piso do convés, enquanto as outras eram fortemente amarradas com correntes aos corrimões e parapeitos integrantes da estrutura de ferro da barca.
19Enquanto isso o estábulo boiante foi se acostumando ao sub-peso...




O renascente amado com preferência

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1O idoso navegatário, mãos calosas, surro por lambuzado em graxas, contudo sem renda, não fazia pra se manter. 2Em pouco, era uma sombra, cadavérico, chupado, caxexa: um definhado dono de flictenas sangrantes. Já rebaixado a grumete, descarnava-se famelgamente em trapos.
3Entrementes, embarbecia, desocupando navalha e espelho...
4Seu ranchinho maldotado, com o descuido tornou-se uma tapera e em pouco desabava. 5Daí, o relento o acolheu e ele se amparava da inclemência sob uma lapa beira-rio, onde no inverno tirava lecheguana, sonhando-se tiritante quíchua em peruanas cordilheiras. 6Ascetizava?

7Noutros tempos, socorria-se da friagem com uma boa cachaça que lhe traziam, produzida nos alambiques dum renomado engenho na região da Cangalheira.

8Do abrigo à entrada, mantida a fogueira acesa no escuro breu a espanto dos rastejantes malinos.

9Além, riscando o negrume, a fraca luminância dos noctiluzes.

 10Ali perto, marginais e noctívagos, pelejassem nas sombras pelo de-comer a ariranha, a lontra, o mão-pelada e o graxaim.

11Acolá, o regougo dos micurês buscando ninhos e filhotes...

12Longe, esturros e tossidos jaguarunos.

13Nas altazoras todos os pardos são gatos e no céu a Boieira em brilhância reina...

14Prevenido, nas cercanias cultivasse seus Bois-gordos, o dito volácio, planta de milagreiras raízes de cujo cozimento se extrai um salvatério de picada de cobras,  mantendo no limpo os canteiros de suas tantas outras ervas curativas e aromáticas.

15Nas noites suaves do verão, deitava-se de costas sobre moitas pra espiar o céu. 16O favônio então o acariciava, refrescando sua pele endurecida pelo sol... 17Momentos amenos...

18A brisa fagueira lhe trazia descanso e agradável sonolência... 19Eram momentos a menos de sofrimento, penúria e angústia...

20Até que um dia, numa alvorada, estando de fome e folga, sentou-se numa pedra defronte a um remanso, perto de uma nascentezinha - mina mínima, um estilicídio - onde saciava a sede, e dali ficou banzando, observando a enseada tranquila da caudalosa corrente, ocado bucho. 21Depois, estava olhando num canto da pocinha do olho-d’água ua mãezinha anura cuidando de seus girinos e foi quando alguns pássaros estranhos, negros e corvilíneos, trouxeram-lhe pão. 22Ali estando novamente ao crepúsculo, trouxeram-lhe carne. 23Isso repetiu-se toda manhã e toda tarde, sempre que ali esteve e enquanto a fonte não secou[d].

24Conquanto, começou a desmorrer o navegante.
25Depois, deu-se que encontrou na praia da margem oposta uma panela com um pouco de farinha e logo adiante uma garrafa com um resto de azeite de oliva. 26Relutou em se alimentar daquilo. 27Mas então se lembrou que a matula devia ter sido esquecida pelos ciganos que haviam acampado nas imediações, antes de transportá-los duas manhãs atrás para Coivaras, levando uma criança enferma que desvivente em busca de recurso.[e]
28Eles disseram ter vindo de Sapatera[f], lugar de que ele nunca tinha ouvido falar. 29Cresse na gitanaria, em sua alegada miséria pedindo desconto na passagem? 30Pois levou-os, que litorâneos vindos de portuária urbe em que se fabricava o vidro, disseram mais.
31Daí uns dias quando os mascates voltaram, a mãe da criança, uma viúva, lhe disse: “Veja gajão! Meu filho vive!” 32E apontava o pegulho sadio, que já corria sarelepto[g], brincando com outras crianças zíngaras.
33Uma coisa é certa: apesar do coser diário no fogãozinho de pedras, a farinha da panela nunca se acabou e a vasilha de azeite jamais se esvaziou, enquanto não veio o sossego sobre o semblante daquelas águas.
34Nesses dias, advindo-lhe sonos, êxtases e transes, donde o encontrassem perâmbulo pela ourela, no maior palor, ora murmurando estranhos projetos, preâmbulos de planos de encontrar erva para alimentar burros e cavalos abrigados em cavernas e grutas[h], ora tresloucando palmas e sapateando no ritmo enlevado de uma dança andaluza vinda de guitarras flamencas que só ele ouvia... 35Dada a mortificação, o fomentassem com unguento, reconduzindo-o à razão, resgatado do delírio.
36Nas noites de lua nova abastecia sua despensa, enquanto se entretinha pescando de promombó: apreciasse sobremaneira os peixes pulando pra dentro da canoa, atraídos pelo facho de luz, clarão do lume ali aceso sobre folhas de zinco...
37Ornando as orlas as sempre embaúvas com suas inquilinas correições nas folhas embaladas em doce brisa. 38Formiguinha caindo n’água, peixinhos papavam. 39E atrás deles vinham os primos mais velhos.
40Debruçados sobre a flor-d’água, os galhos do ingazeiro lançam à deriva bagas recheadas de um quase algodão doce. 41Os dourados afloram para a colheita.
42Atraindo os pacus dentimagna, haviam os crocantes coquinhos da macaúba, sempre rolantes pasto afora e água adentro, desafiando robustas mandíbulas para fragmentar-se.
43Às rumas, ali no negror da via aquática habitantes outros profundezavam: jaús e bagrões lambe-pedras... 44Com isca certa, iam aos anzóis duríssimos, donde viessem brigantes e chorões, fisgados com irreversão, na enverga das longas varas supridas em linhas de estrangeira resistência.
45Ou então de manhã aflorassem cá e lá nos tantos ganchos da longa linha do espinhel deixado na espera...


O deslize dos capatazes

    9
1Em certa manhã, ali chegou a maioria dos famanazes boiadeiros do arraial e seus agregados, que somavam cinquenta e um homens[i], com seus cavalos e muares ajaezados, enchendo o coibente boiável com a manada de ruminantes imponderáveis. 2A comitiva com seus cães ia para um rodeio no arraial vizinho onde tinha montaria de zainos chucros e touros descomunais. 
3Logo após desatracar do embarcadouro, o balseiro já em saúde recuperado, dono de nova força muscular e entrado em febras notou banzado que alguma coisa atrapalhava o navegar de sua chalana.
4Alguma coisa complicava o seguir viagem para a outra orla.
5Para ele, inexplicável a dificuldade da barcaça fazer-se ao largo... 6Não entendia a inutilidade de seus esforços em colocá-la em navegação, mesmo ajudado a contragosto pela jagunçada presente. 7Arre que não soubesse ainda totalmente de si e estivesse sua cachola em estado de giração?
8Sua tarefa acaso a cabo não seria levada?
9Desvende-se. 10Por desídia dos atabalhoados peões, empolgados com a viagem e ciosos com os enfeites de suas montarias, ataviadas com xairéis e sobreancas de vário colorido, macios enxergões e fofos pelegos arruivados de ovinas peles lanosas, haviam instalado mal as cangalhetas e elas se soltaram do dorso das alimárias logo após o desatraque, devido à atrítica superlotação no quadrilátero flutuável.
11Houve a intensa azáfama na busca de correção para a nova anarquia. 12Mas revelou-se inútil o esforço: livres da incômoda arreata, assim desjungidas do peso que mantinha seu equilíbrio gravitacional nos conformes, elas entraram em levitação e não houve força humana que as trouxesse de volta ao chão.
13Presos à embarcação, aqueles como que casulos flutuantes, com aprumados rabos helicopteralmente rabanando cerdas na horizontal, forçavam uma decolagem vertical, já soerguidos aos ares, definitivamente encantados por incoercível e escura magia e presas de irresistível magnetismo sideral...
14Alguns boiotes e novilhas de inda macia pele incharam extremamente.
15Uma ou outra re(s)voante não conseguiu evitar a vasca inflatória e explodiu suavemente como bolha de sabão. 16Ao redor de suas cabeças algemadas ao assoalho banhado em sangue, restasse espalhado o ror de destroços: membros em desquartejo, bofe, tripas, bucho, fressura, cascos, couro e carne dilacerados...
17Foi o Susto e veio o Pasmo: os calafanges do alfoz coivarense quedaram-se espavoridos em atônito aniquilamento...











Remissão e prece

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1Vagas inquietas sacudiam vigorosamente o barco, retendo-o pela pressão do vácuo,  - esforço de ninfas segurando-o por baixo? -, o que era facilitado por seu mínimo calado d’água, devido à ausência de quilha e à pouca distância vertical entre a parte inferior e chata do casco e a sua linha de flutuação.
2Os elementos da natureza mostravam-se inquietos, insensatos, perplexos, como se navegando estivessem...
3Ecoava pelo ar uma pocema, um como hosana pagão à catástrofe iminente, formado pelos gritos aflitos de homens vociferando blasfêmias, pelo ruído nervoso dos passos miúdos das mulas desatinadas sapateando no tablado, pelo nitrido abufado dos bucéfalos em pânico e pelos berros medrosos das reses volantes, hirtos pescoços tracionando pelos cabrestos o medonho peso...
(4Ah! Os cavalos... O riorujo apreciava transportá-los de tardinha... 5Como que hipnotizado, fixava aquela visão maravilhosa de suas silhuetas suadas contra os últimos raios do sol, que os tornavam como que incandescentes, lembrando-lhe turbilhões de fogo...)[j]
6Enfim, com esforço vacilante, a grande plataforma navegável fez-se ao largo, presa aos cabos de travessia que lhe balizavam a trajetória.
7O filho do rionheiro chegava ao local nessa hora. 8Não pôde embarcar, mas dirigiu ao pai um olhar de súplica, obtendo dele um olhar de perdão.












Ensaio de voo

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1Mal se afastara da borda, a barca-açu com o seu madeirame pesado, suas ferragens, suas parafusamentais roldanas e catracas, suas âncoras fateixas e poitas, seus arpões, seus arpéus e balroas, seus farpões, ferros e máquinas, com sua carga humana e animal, subjugada pela desgravidade do lote bovino embarcado, tentava liberar-se de seus atavios de aço, safar-se de seus cabedais de mareagem, seus aparelhos, aprestos e utensílios e, magnetizada, minaz, intencionava ascender com a força do anti-peso atraindo-a aos ares.
2O calejado timoneiro sem leme a tudo assistia impassível sem arredar pé da ponte de comando, diga-se humilde castelo de proa sobre minúsculo tombadilho, de onde comandava a maquinaria acionando alavelas e manivancas.
3Aos poucos o paquete caboclo-fluvial parecia se desconjuntar, estertorante, vítima de aerídricas forças antagônicas que tanto o seguravam nas águas como o atraíam para cima. 4Tornava-se uma armação nadante instável composta de objetos e seres sobrepostos e amarrilhos de ferro e carbono retesados.
5No apogeu do esforço, sob rangidos e estalos, com enorme estrondo, soltaram-se do batelão os aparelhos e engrenagens que o prendiam aos cordões metálicos e ele, desopresso das amarras, ascendeu.
6Sim, liberta da cordoalha de aço que se prendia às suas ferragens e a guiava aos dois extremos de seu trajeto, a grande catraia cedeu à pressão ascensional e afastando-se das águas foi se elevando aos céus, arrastando consigo uma cauda formada de cachoeiras reticentes, mãos líquidas de ondinas nervosas tentando reter, agônicas, o objeto voador.
7Despossuída dos antigos rumos e devota das imensidões etéreas, inaugurava seu novo fadário.









O abandono

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1À balsanave fora dado o apulso e agora conduzia aquele rebanhoso encargo para a liquidez celestial? 2Enfim se comprazia: subissem ablegados para a imensidão do azul...
3Lágrimas torrenciais lavaram as cataratas dos olhos do idoso nauta. 4Abriram-se-lhe os tímpanos a poder de novas marretas e bigornas, de ornejos e trelinchos... 5Desamouco,  - que agora tinha desobstruídas as membranas saculares dos ouvidos, - os primeiros sons que ouviu limpidamente foram de gonzos e dobradiças rangentes. 6Pôde enxergar –visão assaz emocionante! - as vacas em ascensão soerguendo consigo o barco-nave tão assim carregado de estripulias...
7Com a força da sucção sendo vencida pela completa desaceleração da gravidade, e enquanto a espaçobalsa se aviava em pressas despedida do leito de espumas, decolando na vertical e invadindo ruidosamente o vazio do espaço, houve um violento abalo nas camadas atmosféricas e formou-se sobre as ondas uma névoa que se conservou durante anos naquele local.
8No espelho anfractuoso das águas revoltas, para sempre permaneceriam os reflexos do imenso vulto negro de um casco enferrujado que, ousando influir no espaço-tempo, causou o aeremoto.
9Zurros, relinchos e mugidos, agora desesperados, eram endereçados às duas margens em busca de adjutório, sinfonizando uma cantilena de horror com os brados angustiados dos des-humanos flibusteiros...
10Aqui e ali mãos em desatino implorando perdão, suplicando por socorro: ridículos ademanes, meros bichancros...












A outra partida

        13
1Sempre em ascensão, a peça voante ligeira era agora à distância apenas um bote mínimo sem serventia, qualquer coisa mal presa, em desequilíbrio, sem sustentação confiável: desmeteoro, ascendente estrela de volta pro vazio numa infinita desodisseia...
2À medida que o barquel subia, oscilante e instável, de lá certamente se podia ver as margens se aproximando, até formarem os limites de um risco azul serpenteando entre relevos de montes e pradarias.
3O ascético aquanauta em sua ascensoral partida venceu os empedernidos céticos...
4Tudo ali ao redor vagava absorto, ar repleto de mexinflórios e itinerâncias.
5A uma distância maior, aquilo virou um barcote, como se visto do binóculo pelos fundos.
6Depois, num ponto do azul ainda se via a barqueta, pingo preto que logo em seguida sumiu, tragada pelas regiões sidéreas, em busca de seu buraco negro...
7Pela redondeza, aos poucos a natureza emudecia.
8Destarte, Elias, o antigo, partia novamente deste Mundo, liberto de erro, pacificado no amor filial. 9Transfigurado, em outro lugar, do passado ou do futuro, foi criar o enredo de um novo tipo de arrebatamento[k].
10Então, só o silêncio restou sobre a face das águas.


=*=









Biobibliografia


OSCAR KELLNER NETO é natural de Franca/SP (1949), casado, pai de dois filhos, avô de três netos e vive em Delfinópolis/MG, entre serras, cachoeiras e lagos, desde 1975.  Arte-Educador, Professor de Gramática e Redação, Técnico em Contabilidade e Advogado atuante,  Kellner também se dedica à pintura e à escultura, áreas artísticas em que sempre logrou êxito. Nas horas vagas, inda cuida de terras, gado, peixe e gente. Gosta de sumir pelos vãos da Serra da Canastra, onde cavalga, conversa, joga truco,  sonda falares, respira cores e transpira poesia.
O Autor, míope, curioso e astigmático, começou a escrever em 1963.  Seus primeiros versos foram para a musa eterna, hoje sua esposa: Maria Alcina. Sempre colaborando em suplementos literários de vários jornais com seus textos poéticos, foi premiado na 1.ª Semana de Arte Moderna de Franca, em 1966, com o poema Beatniks.  Em 1967, seu poema Do Mágico e seu aprendiz, recebeu o 1.º lugar em outro concurso francano. Publicou seu primeiro livro de poesias em 1968: CANTO DE BUSCA, em edição mimeografada e com lançamento nacional. Em 1969 editou e lançou seu segundo livro, MURAL, com poesias concretistas. Seu poema-processo RELÓGICAS, elaborado a partir de carimbos confeccionados com peças de relógio,  em parceria com Antônio de Pádua Primon recebeu o 1.º Prêmio no Concurso Nacional Souzandrade, em Divinópolis(MG), em junho de 1969.  Nesse ano - o de seu casamento - o Autor recebeu da imprensa francana o título de Intelectual do Ano. Desde então, vem organizando seu livro-objeto, de poemas-processo, FLASH!  ainda inédito e em constante evolução.
A partir de 1970, Kellner passou a coletar seus contos e a divulgar seus textos em prosa, colaborando em jornais, suplementos e páginas literárias de toda parte e participando de algumas antologias nacionais e de fora.
Em 1975 lançou cópias de seu texto concretista FOSSAPOGEU - (epistolas aos coivarenses - textos do hospício) - , de circulação restrita. Em 1977 divulgou seu primeiro romance: O CRIME PERFEITO DE SEZOGLA SUEM, em pequena edição oferecida à crítica do círculo de amigos-leitores fiéis. Participou, em 1979, com o conto O Espetáculo, da antologia A PRESENÇA DO CONTO, organizada pela Editora do Escritor, de São Paulo.  Seu primeiro livro de contos O OUTRO LADO DE COIVARAS : O MUNDO foi publicado pela Editora Pirata, de Recife, em 1984.  A revista Globo Rural publicou seu conto Paz-sarinha, sob o título  “O touro Charuto” em sua edição do mês de setembro de 1994.
Em 2009, em comemoração ao seu 60º aniversário, Kellner  relança a obra MURAL em conjunto com FOSSAPOGEU, na obra poética MURAL & FOSSAPOGEU, pela Editora Clube de Autores, de São Paulo. Ainda em 2009, pela mesma editora, lança o livro de contos O JUIZ E OUTROS CONTOS, o romance O REINO DE COIVARAS  e a novela TOCAIAS E DUELOS.  Também em 2009, pela mesma editora paulista, lança a obra COIVARAS (cantos), onde reuniu os trabalhos O JUIZ E OUTROS CONTOS – contos -,  ROSALDA GENTIL  - romance – e TOCAIAS E DUELOS – novela.  Também em 2009, pela Editora Clube de Autores, relançou o livro O CRIME PERFEITO DE SEZOGLA SUEM.   
 No final de 2009, em regozijo pelo jubileu de diamante de seu nascimento, Kellner lança pela Editora Casa do Novo Autor, de São Paulo(SP) o livro FAZENDA INTERIOR.
Na gaveta, ainda inédito, O QUILOMBO DE PALMIRA (flash contos), Também inédito, ressona em alguma estante um livro de versos:  VISITAÇÃO  (trovas). Alhures, seu livro-objeto, de poemas-processo, FLASH! em fase de acabamento.
Também nas letras jurídicas, Kellner produziu alguns textos. A monografia A CAUSA CURIANA, no campo do Direito Romano; O PROCESSO CAUTELAR E A COISA JULGADA, monografia na área do Direito Cautelar; e, na área do Direito Penal, desenvolveu trabalho em parceria com Juliano Quireza Pereira e Lúcio Augusto Malagoli tratando do PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA.  Todos estes permanecem inéditos.
Kellner proclama a volta à Natureza. Prepara um reino de pedra, água e sol: Coivaras.















Apreciações de leitores amigos

1 - Márcio Almeida - (MG) – 08/02/2010:
“Meu caro Oscar,

OS AMARRADORES DE PATAS é um conto a mais em que v. dá continuidade ao experimentalismo roseano de "Fazenda interior." Prevalece no conto o uso de lexias incomuns ou em desuso, neologismos, para relatar uma história trivial, sem
grande impacto, se não o da própria narrativa. Palavras como pojado, velhomem, fluvinheiro, manquitóis, riojeiro, brete, congrossas, palafréns, labancas, balsanave, rebanhoso, trelinchos, examouco, espaçobalsa, bichancros, desmeteoro, desodisseia, itinerâncias, fateixas, riorujo, abufado, poema, atrítica, saralepto, pegulho, estilicídio, lecheguana, boiante, caxexa, famelgamente, bonfos, muns, patau, arregatas, meante, tuzinas, apuavam, entre muitas outras - é que garantem ao conto o estranhamento. V. mantém-se fiel ao seu veio telúrico vivenciado, dele extraindo histórias que contrastam a pós-modernidade ao viés antanho dos casos desdobráveis em narrativa de ficção. Não obstante ter se incluído entre os de projeção desenvolvimentista, o Brasil continua rural, catrumano, recorrente a tradições que remanescem das sesmarias, glebas, fazendões, que alimentam o imaginário nacional com uma vertente úbere de histórias como o úbere de vaca. É válido porque não são muitos escrevendo este tipo de narrativa de ficção.

Grande abraço - Márcio Almeida”
=*=


2    - Emídio Lopes Araújo – Natal(RN) – 11/02/2010:




“Caro Oscar.
   Leitura difícil em consequência da utilização de palavras
de uso regional. Outras só conhecidas por gente do
respectivo ofício. Acrescento uma dificuldade para o leitor:
há palavras não dicionarizadas. Apesar do estranhamento,
entende-se perfeitamente a narrativa, que tem começo,
meio e fim. Enredo interessante. O leitor que não se deixar
intimidar pelas palavras das categorias acima citadas, tem
curiosidade em percorrer o conto e alcançar a cativante
conclusão.
Aprecio textos curtos, mas em consideração ao autor,
li três vezes. Valeu a pena ler.
Abraço, Emídio.”

=*=


3 - Vicente de Paula Silveira – Franca(SP) – 11/02/2010:

“Meu caro Oscar.

Partindo da premissa que não é possivel pensar sem símbolos, segundo pesquisas no campo da Psicologia e que a riqueza de termos para descrever a embarcação, seus pertences e as peripécias do seu timoneiro, além de instrumentalizar o pensamento  para o ato de pensar, cumprindo uma função altamente pedagógica, introduz o leitor atento no mundo encantado de um homem que viveu  uma verdadeira "desodisseia", povoada de sucessos e fracassos, embustes e trapaças, vitórias e desgraças, virtudes  e pecados.
Seu conto é uma amálgama de ficção e realidade, descrito com a maestria de um grande filólogo, de um dicionarista inteligente e apaixonado.
            Seu tresloucado barqueiro, pensa, sente, quer e age, vivenciando a totalidade dos fenômenos da mente humana (cognitivos, afetivos, volitivos e psico-motores), que das agruras de uma vida desgraçada, ascende como uma substância ectoplasmática aos assentos etéreos nunca dantes navegados, na linguagem camoniana.
            A leitura de seu conto,evoca em minha mente as sábias e proféticas palavras do poeta Francisco Otaviano:

                "Quem passou pela vida em brancas nuvens
                E em plácido repouso adormeceu,
                Quem não sentiu o frio da desgraça,
                Quem passou pela vida e não sofreu,
                Foi espectro de homem, não foi homem,
                Só passou pela vida, não viveu".

Vicente de Paula Silveira

=*=


           
4 - Paulo César Garcia – Franca(SP) – 16/02/2010:

“Estimado Rei,
 Nunca um súdito poderia tecer qualquer idéia sobre idéias de  seu rei.  Fácil seria puxar-lhe o real  saco.  Embora saibamos de sua real bondade, tememos a guarda real, cujo capitão deve ser um cidadão como nós.   Mas, diabo,  tenho que cumprir o desejo real.  Ele sugeriu que a gente manifestasse.  Sugestão real é uma ordem desgraçada de ruim.
 Suas palavras me levaram de um lado ao outro, subi serras e cumieiras, desci grotas e árvores, entendia quase todas sem nunca tê-las visto (coitados dos dicionaristas).  Por instantes, numa leitura rápida e inquisitiva, eu queria antecipar o fim.  O que vai acontecer?  O desgraçado virou comunista?  Não crê mais na espécie humana?  Onde está a moral da história?
  Quando terminei a leitura percebi que o Rei me levara, num dia muito quente, a descer ladeiras difíceis, suando sem dó, amedrontado e com a respiração em suspenso, para, enfim, deliciar num banho real em uma de suas cachoeiras do reino.  Se água não sobe morro, como então pode haver uma cachoeira?   Deixa isso prá lá e curta o refresco.
 Parabéns, meu caro e ilustre escritor.  Sinto-me lisonjeado por ter lido o real conto em primeiros olhos.  Obrigado pela viagem e pelo refresco.
                                                                              Abraços.”
GLOSSÁRIO

a grande catraia
a balsa
abegoaria
espécie de curral, local onde se recolhe o gado
ablegados
banidos, desterrados
abmouco
(neol.) que ouve pouco, quase surdo
aboio
canto dolente e monótono, ger. sem palavras, com que os vaqueiros guiam as boiadas ou chamam as reses
abufado
(neol.) contração ideológica do vocábulo afabado (sufocado)

com o termo bufado (na acepção de sopro forte e ruidoso)
ademanes
acenos
adjutório
auxílio, socorro, ajuda
aerídricas
relativas simultaneamente à água e ao ar
aeremoto
 vibração violenta da atmosfera
agônicas
em agonia
agrolavrantes
(neol. )  que lavram o campo, cultivadores de lavouras
ajaezado
cheio de enfeites; ornado, adereçado
alavelas e manivancas
(neol.) troca de letras entre os termos "alavancas" e “manivelas”
alfobre
canteiro entre dois regos por onde corre água
alfoz
território
alimária
conjunto de animais
albarda
sela grosseira própria para resguardar o lombo das

bestas de carga
altazoras
(neol.) na noite alta
amarratório
(neol.) amarradouro, lugar onde se faz a amarração

das patas dos animais
amarréis
(neol.) presilhas, liames, atilhos, amarrilhos
amarrilho
cabo, cordão ou fio com que se amarra qualquer coisa
andaluza
típica da Andaluzia, Sul da Espanha
animália
conjunto de animais
antagônicas
contrárias, opostas
antigravitacionais
exercendo ação contrária à da gravidade
anura
anfíbio desprovido de cauda, sapa
apogeu
o mais alto grau
apuar
cravar ou supliciar com pua(s),  torturar
apulso
direito de conduzir o gado através da propriedade de

outrem para levá-lo para beber em um tanque comum
aquanauta
(neol.) nauta, marinheiro, marujo
armação nadante
a balsa
armento
rebanho
aroeira
aroeira-vermelha - madeira pesada e resistente
arpéu
pequeno arpão, fisga para peixes
arreata
correias com que se prendem os animais
arribana
curral, local onde se recolhe o gado
arruivado
de tom mais ou menos ruivo; arruivascado, avermelhado
ascensoral
ascendente
ascensorismo
ascendimento, ascensão, subida
ascético
dedicado a privações e mortificações
ascetizar
tornar-se asceta
ataviadas
ornadas, enfeitadas
atrítica
(neol.) relativa à situação de atrito provocada pela superlotação.

No texto, contração ideológica do vocábulo artrítica,

(relativo à artrite – pelas dores, inflamação, limitação dos  

movimentos ou a destruição das articulações relatadas 

no texto) com o termo atrito referindo-se à fricção dessas

partes de cada rês entre si. 
Áurea
Lei Áurea
azáfama
pressa e ardor na execução de um serviço
azagaia
lança curta com que se escora um bote  de onça
balanite
inflamação da glande
balça
balsa
balsejante
viajante da balsa
baldroca
trapaça, logro, fraude
balroa
fateixa, pequena âncora de quatro braços amarrada

por um cabo
balsanave
(neol.) a balsa - enquanto espaçonave - neologismo
banto
 indivíduo dos bantos, trazido como escravo para o Brasil
banzado
pasmado, espantado
banzar
cismar, matutar, ficar pensativo
barca-açu
(neol.) a balsa
barcaça
a balsa
barcagem
frete pelo transporte em balsa
barco-de-vogas
barco de pequeno porte acionado por pares de remos

móveis instalados em suas bordas
barco-nave
(neol.) a balsa - enquanto espaçonave
barcote
a balsa vista de muito longe, no ar
barquel
a balsa
barqueta
a balsa quase sumindo de vista
batelão
a balsa
bichancros
gestos ridículos
boiama
boiada
boiante
flutuante
Boieira
o planeta Vênus, a Estrela D'alva
boiotes
bois novos
boiunos
bovino
boizama
boiada
bonfo
(neol.) onomatopéia de mugido vacum
bornu
negro do antigo emirado de Bornu, trazido para o Brasil

como escravo
bote mínimo sem serventia
a balsa diminuída de tamanho
brilhância
luminância,  luminosidade
bucéfalo
cavalo
buraco negro
região do espaço-tempo dotada de um campo gravitacional

de tal modo intenso que dela nada pode fugir, inclusive a

radiação eletromagnética
buzarates
corpulentos, barrigudos
cabinda
negro apresado na costa Norte de Angola e trazido como

escravo para o Brasil
cairel
borda, beira, margem, orla
calafange
desprezível,  abjeto, vil, canalha
cangalha
artefato de madeira ou ferro, acolchoado, que se apõe ao

lombo dos animais para pendurar carga de ambos os lados
cangalheta
cangalha
catarata(1)
queda d'água, cachoeira
catarata(2)
perda parcial ou total da visão pela opacidade menor ou

maior da parte lenticular biconvexa e transparente do olho
catrabucha
objeto desconhecido
catrumano
caipira
caxexa
raquítico
caudal
corrente fluvial
chalana
a balsa
chucro
não domado, bravio, esquivo
cigano
povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o oeste

(antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou pelos países do

Ocidente; calom, zíngaro
coibente boiável
a balsa
coisa feita
magia negra, mandinga, feitiço
comitiva
grupo de pessoas que segue com a boiada; séquito.
comprazer-se
abandonar-se a uma autossatisfação; deleitar-se
congrossa
(neol.) de encorpada espessura
consendo
(neol.) tudo sendo ao mesmo tempo
contorcionistas
assumir posições contorcidas antinaturais
convés
piso ou pavimento da embarcação
corvilíneo
(neol.) com as linhas de um corvo
decruar
lavrar a terra pela primeira vez
decúbito
atitude do corpo em repouso em um plano horizontal
delíquio
perda de sentidos; desfalecimento, desmaio
dentimagna
neologismo  latino formado por  “dentis” (dentes) + “magna” (grandes, poderosos) –  significando no texto “de poderosa dentição”
des-humanos
ex-humanos
desamouco
(neol.) não mais amouco, ex-surdo
descativo
resgatado ou liberto do cativeiro; livre
desgravidade
(neol.) antigravidade, força contrária à atração mútua

entre os corpos, originada pela gravitação
desmeteoro
(neol.)  fragmento de meteoroide ou astrólito que sobe

da terra para o espaço
desmorrer
retornar à vida
desodisseia
(neol.) uma não-viagem; falta de travessia, ausência

de caminhos
desopresso
aliviado, desafogado, desabafado, libertado
despossuída
livre do domínio, da posse
em desquartejo
(neol.) esquartejados
desenxergar
(neol.) não avistar, não entrever, não alcançar com as vistas
desvivente
parando de viver
empraiar
(neol.) encalhar na praia
enxerga
almofada cheia de palha, que se coloca sobre a albarda
enxergâo
suadouro acolchoado com palha que se coloca sobre

o lombo do cavalo, por baixo dos arreios; baixeiro
erado
gado gordo
escassilho
lasca, fragmento pequeno de algo que se quebrou
escura magia
coisa feita, magia negra, feitiço
espaçobalsa
(neol.) a balsa - enquanto espaçonave
espaço-tempo
espaço quadridimensional em que três das coordenadas

são espaciais e a quarta corresponde ao tempo.

É utilizado na geometria da relatividade de Einstein
espardeque
piso construído acima do convés onde se levam

passageiros ou cargas leves
espavoridos
apavorados, aterrorizados
estábulo boiante
a balsa
estertorante
agonizante
estropos
braçadeiras
evolar-se
esvaecer-se, dissipar-se
exaurífico
(neol.) contração do termo “exaurido” (esgotado) com o vocábulo “aurífico”  (que produz ouro)  – significando “esgotado produtor de ouro”.
fadário
Destino
faiscadores
garimpeiros
faiscância
garimpagem
famelgamente
famintamente
farpante
que farpa; que rasga, dilacera
farpão
pequeno arpão; arpéu
fateixa
pequena âncora, farpão.
favônio
vento suave que sopra do poente
febras
coragem, força, vigor
fésteis
(neol.) festejantes sarcásticos
flexuras
junta dos ossos, lugar em que os ossos se articulam

para dobrar um membro ou parte do corpo
flictena
bolha na pele
fluvinheiro
(neol.) marinheiro fluvial
fomentassem
friccionassem
fressura
conjunto de vísceras de um animal; bofes
gaivão
aparelho de pesca, de forma cônica
gajão
forma de tratamento respeitosa (equivalente a 'senhor')

dada pelos ciganos a pessoas estranhas à sua raça
garrote
bovino de dois a quatro anos de idade
gitanaria
grupo de ciganos
grande catraia
a balsa
grande plataforma navegável
a balsa
grandevo
longevo, muito idoso
grumete
graduação mais inferior das praças da marinha
grupiara
depósito de cascalho em local elevado, acima do nível

máximo das águas
guindalete
cabo ou corda de guindaste
helicopteralmente rabanando
(neol.) tremulando em giros as próprias cerdas à maneira

de um helicóptero.
horta-de-couve
cercado para plantio de verduras e legumes
imantadas
no texto, significando pedras que sofreram um encantamento ou  uma magnetização da qual estão sob o domínio ou ascendência e que as atraem ao  “centro magnético da Terra”.
incoercível
que não se pode dominar, refrear, impedir; irreprimível
indicus
(latim) raça de gado vindo da Índia;  zebu
inflatória
(neol.) relativa ao aumento de volume
insensato
não conformes ao bom senso, à razão
intertexto
texto literário preexistente a outro texto e que

é aproveitado, por absorção e transformação, na

na elaboração deste, ou que o influencia
itinerância
caminho, rumo
jaguaruno
(neol.) de suçuarana, onça parda.
labanca
 (neol.) alavanca, ferramenta manual pesada usada para

[a]o deslocamento de pedras e árvores
lapuz
homem do campo; rústico, camponês, campônio
lavagante
labugante, navegante
tirar lecheguana
tiritar de frio
levitação
fenômeno psíquico, anímico ou mediúnico, em que uma

pessoa, um animal ou uma coisa é erguida do solo sem

uma razão visível, apenas devido à força mental que

movimenta fluídos ectoplásmicos capazes de vencer

a  força da gravidade
litorâneo
situado à beira-mar;  vindos do litoral
lume
fogo, fogueira
palafrém
[a]qualquer tipo de cavalo
madeirame
madeiramento
magnetismo

resultado de forte e inexplicável atração; encantamento
manivancas e alavelas
(neol.) troca de letras entre os termos "manivelas"

e "alavancas"
manquitóis
mancos, coxos
maromba
cabo de aço ou de fibra vegetal, suspenso de uma margem à ou-
tra de um curso de água sobre o qual os tripulantes das embarca-
ções de travessia exercem tração manual para fazê-las deslocar
marruares
touros bravios
meante
em meio
mexinflório
acontecimento, fato confuso; embrulhada; enredo, intriga
miálgico
relativo a dor muscular
micurês
Gambás
minaz
ameaçadora, intimidante
mocambo
refúgio na mata, de escravo(s) foragido(s); quilombo
moitão
caixa de madeira ou metal de aparelho de força (poleame), que trabalha com uma só roldana
movongo
depressão funda de terreno junto de elevações íngremes
mucubu
anca de boi
mucurês
gambás
muçununga
pântano, paul; terreno alagadiço e muito ácido, no qual medram musgos, fetos, etc., e de onde escorre água nociva ao homem e aos animais
muns
(neol.) onomatopéia de mugido vacum
navegatário
(neol.) titular da navegação no local
neobípedes
(neol.) bípedes antes inexistentes
ninfa
divindade que habitava os rios, fontes, bosques e montes
nitrido
relincho, rincho
noctiluzes
pirilampos, vagalumes, lucernas, lampírides
noctívago
que tem hábitos de vida noturnos
novilha
fêmea bovina nulípara, que nunca pariu
o objeto voador
a balsa
o paquete caboclo-fluvial
a balsa
ocado bucho
estômago vazio, oco
ondina
nas mitologias germânica e escandinava, gênio ou ninfa do amor, que vive nas águas.
orla
margem, beira, borda
ourela
borda, margem, beira, orla
ovinas peles lanosas
peles de ovelhas providas de lã; pelegos
parafusamentais
(neol.) peças onde vão parafusos que as tornam ferramentas
patau
indivíduo simplório, ignorante
peça  voante ligeira
a balsa - enquanto espaçonave
pegulho
petiz, criança, infante
pelego
a pele do carneiro com a lã, essa pele colocada sobre os arreios para para tornar o assento do cavaleiro mais confortável
perâmbulo
(neol.) contração ideológica dos vocábulos "sonâmbulo”  + “perambulante”
peroba
madeira de boa qualidade
pigmentais
(neol.) contração ideológica dos vocábulos “pigmeu” + “pigmento”,   significando “como minúsculos pigmentos”
pigmento
substância sólida existente na natureza ou produzida quimicamente, que absorve, refrata e reflete os raios luminosos que sobre ela incidem
pindaíba
árvore de até 10 m (Xylopia brasiliensis), da fam. das anonáceas, nativa do Brasil (MG), de folhas lanceoladas, flores amarelas e frutos acres, aromáticos e condimentares, sucedâneos da pimenta-do-reino; embira, embireira, erva-doce, pau-de-mastro, pindaíva, pindaúva
plataforma navegável
a balsa
pocema
rumor de muitas vozes; vozearia, assuada
poita
objeto pesado que faz as vezes de âncora em embarcações

miúdas; pandulho
pojado
tirado da embarcação
pojantes
que navega com facilidade
poleame
peça de madeira ou ferro usada para passagem de cabos

fixos ou de laborar, em uma embarcação
portuária
próxima ou ligada a um porto
preâmbulo
Prefácio
profundezavam
(neol.) viviam nas profundezas, no íntimo
promombó
modo de pescar em noite escura, em que o pescador 

ilumina o interior da canoa com uma fogueira ou um facho

de luz para atrair os peixes, que saltam dentro dela;
quadrilátero flutuável
a balsa
quíchua
inca; indigena de tribo pré-colombiano  do vale de Cuzco, no Peru, cujos remanescentes formam parte considerável das populações do Peru e do Equador
rapinagem
hábito de roubar
rebanhoso encargo
(neol.) encargo composto pelo rebanho
regougo
som cavo, gutural; ronco, roncadura
resseguro
muito seguro, muito firme
re(s)voante
(neol.) contração ideológica dos vocábulos "rês"  +  ”voante" para formar o novo termo "resvoante" significando "rês esvoaçante em revoada". De "revoar" – voejar, esvoaçar, pairar, volatear; fazer revoada" 
reticente
vacilante, hesitante
riajante
(neol.) viajante do rio
riajor
(neol.) viajor do rio
riogeiro
(neol.) viageiro do rio
rionheiro
(neol.) marinheiro do rio
riorujo
(neol.) marujo do rio
riovagantes
(neol.) navegantes daqueles que vagam pelo rio
ror
grande porção de coisas; quantidade
salvatério
recurso para escapar
Sapatera
(neol.) Anagrama de Sarepta acrescido de um “a” eufônico
sarelepto
(neol.) Anagrama de Sarepta com o “a” final tornado em “o”, acrescodp da sílaba mesoclítica  “le”, formando uma variante de “serelepe”
Sarepta
importante cidade portuária do Reino Judeu do Norte, perto  de Sidon, na fronteira de Canaã, onde os Sidônios fabricavam vidro
sideral
sidérico, celeste
sidérea
celeste, sideral
sinfonizando
emitindo som não necessariamente musical
singradura
tempo de viagem de uma embarcação desde a partida até chegar ao porto de destino
sobreaflitas
tomadas de grande aflição
sobreanca
revestimento de tecido ou couro que recobre a anca da  cavalgarura; xairel
surro
Manchado
surrupeia
corda ou tira de couro que prende os pés dos animais
suxa
frouxa, bamba
talingadura
feixe de fios metálicos, torcidos ou trançados como uma corda
taurino
gado de origem europeia
transolhar
(neol.) olhar através, mal enxergando
transfigurado
transformado, metamorfoseado; com a figura, as feições e a forma alteradas
trelinchos
(neol.) relinchos repetitivos
tresloucando
Desvairando
tuzinas
surras, espancamentos
ubraria
ubre, úbere, mama com vários mamilos ou tetas
unguento
medicamento à base de gordura para friccionar
urbe
Cidade
vasca
Limite
velhomen
(neol.) palavra formada do vocábulo “velho” mais o termo inglês “men”,  designativa de  “velho-muitos-homens”,  “ velho-faz- tudo”,   significando “homem-velho-trabalhador-demais”.
vogantes
que se desloca à tona da água; flutuante
xairel
revestimento que cobre a anca da cavalgadura
zaino
cavalo de pelagem castanho-escura
zíngaras
ciganas
zoinas
meretrizes





[a] Vide Capítulo 3, versículos  7,  8, 11-18
[b] Vide Capítulo 3,  versículos  7,  8, 11-18
[c] Nota: neste versículo o A. tem como intertexto o A.T.,  1Rs 18, 23
[d]Nota: Nos versículos 21 e 22 deste Capítulo, o A. tem como intertexto o A.T.,  1Rs  17, 4 e 6
[e]Nota:  A partir do versículo 25, até o versículo 31 deste Capítulo, o A. tem como intertexto o A.T.,  1Rs  17, 7-24
[f] Anagrama de Sarepta acrescido de um “a” eufônico.
[g] Anagrama de Sarepta com o “a” final tornado em “o”, acrescido da sílaba mesoclítica  “le”, formando uma variante de “serelepe”.
[h] Nota: neste versículo o A. tem como intertexto o A.T.,  1Rs 18,5
[i] Nota: Aqui o A. tem como intertexto o A.T.,  2Rs 1, 9-10

[j] Nota: Aqui o A. tem como intertexto o A.T.,  2Rs  2, 10-11.
[k] Nota: Aqui o A. tem como intertexto o A.T.,  2Rs  2, 10-11 e o N.T., Mc 9, 1-13




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